sexta-feira, 31 de julho de 2009

DO FORNO!!!


Nova poesia do Valmir Jordão, uma bela novidade para comesarmos bem o mês, o poeta continua no auge de sua criação e surpreendendo a cada poesia como sempre visceral e urbana, desta vez ataca com este belíssimo poema "aos pariceiros dos anos 80" poesia carregada de urbanidade, provocação e uma sensibilidade política de adimirar. Bem, boa leitura e abraços a todos e todas.


Aos pariceiros dos anos 80

Eu vi os expoentes da minha geração consumindo muito álcool, na Hospício em busca da loucura,
chapando insistentemente no Beco da Fome para recitar na Sete de Setembro contra o auto otarismo
e o autoritarismo em voga,

andando pelas ruas da Boa Vista feito zumbis bêbados, ansiando fumar um nos miseráveis apartamentos
sem água e sem luz, flutuando sobre os tetos da cidade contemplando junkies que desnudaram seus
cérebros ao céu e, viram o CCC com as mãos sujas do sangue do Pe. Henrique,

cansados dos acadêmicos sem brilho, dissecando as almas dos poetas malditos, com toda a mediocridade
e arrogância dos que tentam apropiar-se do alheio,

enquanto Gregório de Matos, William Blake e Patativa do Assaré reluzem em outras dimensões,
éramos detidos e baculejados pela polícia suspeitos de vagabundagem e subversão,

e vi a juventude mergulhada nas drogas alopáticas, uns dependentes do Algafan, outros no éter e
no Pambenyl e mais alguns usando Cocaína ou Fiorinal para encontrar o seu próprio paraíso artificial,

presenciei o bardo Alberto da Cunha Melo a combater o regime de exceção na estrada do excesso
pois todo gênio que se preza, busca a sua garrafa, enquanto boa parte da sua geração camuflava-se
na aura da vaidade literária,

Erickson Luna com sua auto-flagelação nas drogas, no álcool e na anorexia das noites insones no
Cais de Santa Rita ou em Santo Amaro das Salinas, armado de copo na mão com aparência a esganar
o mundo e todo mundo, a dizer que a felicidade é apenas um golpe publicitário,

Espinhara espinhando as relações com o seu jeito espinhoso de ser, Lautreamont, Augusto dos Anjos,
Jean Genet e Chico Buarque foi o seu quarteto mais que fantástico, fora de si, tentou afogar-se na lama
mas a Buarque de Macedo rejeitou esta atitude, semeava o Lítero e colhia pessimismo com o seu mau humor
e machismo digno de um Bukovisk e, foi o poeta da flor e do espinho,

O comportamental França nos seus recitais notívagos e sedutores, a atrair burguesas branquelas com a sua
fala e o seu falo de ébano, a repetir quem quer querelas?

O deseducador cultural Jomard Muniz de Brito evocando Glauber e o Tropicalismo nordestinado contra a caretice
nos meios e nas mansardas recifenses, a quebrar tabus sendo eternamente Pagú e Papangu nos canaviais e carnavais
da Mauricéia travada pela burrice, mil vivas ao mau velhinho!

Fred Caminha nas pensões e manicômios, nos Coelhos e no Bairro do Recife ou na Palma em busca de uma
puta, uma carreira ou uma bola para rolar na Conde da Boa Vista, Príncipe ou Manoel Borba,

Jorge Lopes tatuando na própria alma seus desejos de sexo, drogas & rock and roll, da Caxangá a Riachuelo
na sua batalha diária contra a fome de viver, para não torna-se uma garatuja de si própio,

Vi Cida Pedrosa, Lara, Samuca, Miró e os Cavaleiros da Epifania a calvagar na Ilusão de Ética e na resenha
Interpoética sempre Amarginal,
Hector Pellizzi, Juhareiz Correya, Fátima Ferreira, Wilson Veira, Joca de Oliveira e Humberto Felipe ecoando
poemas no Savoy, no Calabouço,e na Livro 7 mostrando o quanto a América estava indignada,

e todos se reergueram no passo libertário do Frevo e na síncope do Maracatu e na batida literalmente do Côco,
provaram o vinho avinagrado dos tempos difíceis, mas mesmo assim deixando o que houve para ser dito no tempo
após a morte ...

Valmir Jordão

sexta-feira, 24 de julho de 2009


Caros Companheiros, a cobertura da grande mídia a respeito do 51° CONUNE expressa uma clara perseguição política contra os movimentos sociais que se colocam na luta política do povo e a favor das transformações que o país atravessa. Posto aqui este artigo que expressa nosso pensamento a cerca da cobertura preconceituosa da mídia e o papel histórico da UNE nas lutas do movimento estudantil brasileiro.
Vida longa à UNE.

A UNE é chapa branca?

Por *Gilson Caroni Filho
Do site Carta Maior

Quem analisa os movimentos sociais a partir de uma perspectiva que leva em conta a contingência e a subjetividade dos atores, sem esquecer os aspectos históricos e institucionais, não ignorou o objetivo do enquadramento da cobertura que a grande imprensa fez tanto do 51º Congresso da UNE ( União Nacional dos Estudantes) quanto da participação do presidente Lula em sua abertura.

O tom sarcástico dos títulos ("Patrocinada pela Petrobrás, UNE faz manifestação contra CPI"- Folha de São Paulo,16/7) e o coro unificado de articulistas, relacionando o patrocínio público a entidades estudantis com aparelhamento de sua pauta de reivindicações, não deixam margem para dúvidas: o Estado-Maior das redações não mediu esforços para projetar o movimento como setor social cooptado politicamente pelo governo.

Não foi gratuito o destaque dado ao “cândido" senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que, contrapondo ingenuidade e oportunismo, afirmou que o " problema da UNE não é que tenha se vendido, mas sem dúvida se acomodou. Há um silêncio reverencial dos jovens que deveriam apoiar qualquer CPI". Perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.

Finge não saber que os movimentos sociais aprenderam a dialogar com o governo sem perder a autonomia, sua identidade específica. Ignora uma trajetória de lutas que sempre conjugou funcionamento democrático das instituições com a universalização do ensino superior público, a regulamentação do ensino privado e a garantia de métodos de avaliação socialmente referenciados. Graças a isso não caiu na armadilha neoliberal da “ideologia antiestal da liberdade" e, apesar do refluxo dos anos 1990, foi capaz de articular suas demandas específicas com a de outros setores.

O que o senador brasiliense e a imprensa parecem desconhecer é que no 47ª Congresso, realizado em 2001, o PSDB surgiu, como relata Clóvis Wonder para o jornal “A Classe Operária", pedindo " uma CPI para a UNE, com o objetivo claro de confundir os estudantes e abrir uma cortina de fumaça para proteger o governo FHC, saiu amplamente derrotado no congresso. Os estudantes majoritariamente rechaçaram suas intervenções no evento e derrotaram suas propostas". É estranho que Cristovam Buarque, então quadro político do PT, não soubesse que os jovens não apóiam qualquer CPI.

A UNE nasceu em 11 de agosto de 1937, coincidindo com a instauração do Estado Novo. Combater regimes autocráticos foi, desde sempre, sua marca constitutiva. Em 1947, no 10ª Congresso, os estudantes lançaram manifestos nacionalistas que dariam origem a uma das maiores campanhas popular do país: a do “O petróleo é nosso". Como conseqüência dessa mobilização, em 1953, seria criada a Petrobrás, empresa estatal que, até o governo tucano, detinha o monopólio da exploração do petróleo no Brasil. Há algum desvio quando a atual gestão se opõe a uma CPI que trará imensos danos à estatal? É a isso que a grande imprensa chama de direção chapa-branca? Esse é motivo da estupefação do sempre ético Cristovam?

Seus principais documentos sempre afirmavam que era necessário apoiar as empresas nacionais, dando-lhes privilégios em termos de crédito, legislação e recursos técnicos; reclamavam a realização de uma reforma agrária e o desenvolvimento do mercado interno como forma de estimular a economia brasileira. Uma questão fundamental para os interesses do país, segundo os estudantes, era a adoção de uma política externa independente.

Excetuando a questão agrária, onde ainda há muito que avançar, qual o motivo para a UNE se opor ao governo Lula? Projetos como o Reuni e o Prouni que, respectivamente, ampliam as universidades públicas e concedem bolsas em instituições de ensino privado a estudantes carentes não contemplam reivindicações antigas da entidade? Por que o diálogo desrespeita a autonomia que o movimento estudantil deve guardar em relação aos poderes instituídos?

Não deixa de ser engraçado como é articulada a crítica na grande imprensa. A base de comparação é sempre com uma “antiga UNE”, aquela que "orgulhava a cidadania". Seria o caso de perguntar quando surgiu essa admiração dos senhores da mídia pela organização ? Em 1964, estavam em lados opostos. Após sua reconstrução em 1979, ao contrário da grande mídia, a UNE marcou presença nos movimentos de oposição ao Regime Militar, lutando na campanha pela anistia. Em 1981, comandou uma greve nacional diante da recusa do Ministério da Educação em atender a uma pauta de reivindicações. Em 1984, enquanto as corporações midiáticas sabotavam a campanha das diretas-já, os estudantes engrossaram a mobilização popular. A grandeza da UNE se fez na contramão da pequenez de uma imprensa que teima em reescrever a história. E esse dado não é irrelevante para a apreensão da atual conjuntura.

O movimento estudantil não perdeu sua identidade. Como analisou a estudante de jornalismo, Débora Pereira, para a revista Carta Capital “a UNE deixou de fazer resistência ao projeto neoliberal para passar a fazer proposições. Mudou a relação do movimento social com o estado” Com isso ela não disse que cessaram agendas e temas de luta.

Estão presentes, como imperativos para a consolidação da democracia, a extinção do monopólio dos meios de comunicação, o fim da Desvinculação dos Recursos da União, a abertura imediata de todos os arquivos da ditadura militar e punição de todos os crimes cometidos pelo regime, entre outros. Essa agenda coincide com os editoriais de qual jornal? Quem define a cor da chapa? Qual a tonalidade de cada um?


*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Juventude do PT lança manifesto aos participantes do 51º Congresso da UNE


A HORA É AGORA!

Fortalecer a UNE, a juventude e o povo

O 51º Congresso da UNE tem a tarefa de preparar a UNE e o movimento estudantil (ME) para a luta por uma universidade popular e democrática, o enfretamento à crise mundial do capitalismo e a disputa política e ideológica das eleições 2010.



Vivemos um momento decisivo para impedir qualquer possibilidade de retorno desastroso dos Demo-Tucanos, representantes dos setores conservadores e monopolistas responsáveis pelo sucateamento da universidade pública brasileira e por abrir as portas para exploração da educação no mercado. É preciso lutar por um terceiro mandato para o PT e o campo democrático popular buscando aprofundar as transformações em curso rumo à superação do neoliberalismo e do capitalismo para construir uma sociedade socialista.



Se há dez anos atrás, durante o Governo FHC, fazíamos um movimento de resistência, hoje o Governo Lula proporciona um cenário de possibilidades à Universidade Brasileira. Nos quatro primeiros anos do Governo Lula, a população universitária brasileira saltou de 3,5 para 4,5 milhões, um aumento de 28%. O ProUni, o Reuni, as cotas raciais e para estudantes oriundos de escolas públicas, o PDE, o plano nacional de assistência estudantil e a Conferencia Nacional de Educação, mostram uma nova perspectiva de acesso a educação.



Portanto, além da expansão, interiorização e aumento dos recursos para as universidades federais, é preciso reforçar a contenção do avanço do setor privado, que precisa ser fortemente regulado pelo Estado, fortalecendo as iniciativas que, no Congresso Nacional e no Conselho Nacional de Educação, seguem neste sentido.



Apesar de importantes avanços no ensino superior podemos dizer que muito ainda precisa ser transformado. Precisamos entender a educação de forma sistêmica. Por isso a Conferência Nacional de Educação será um espaço importante para pautarmos a necessidade de um sistema nacional de educação articulado e voltado aos interesses populares.



Neste sentido, ainda que existam mudanças que podem alterar o perfil e as oportunidades de formação de jovens, precisamos enfrentar a hegemonia do setor privado e da concepção mercantil de educação, voltada à formação de mão de obra e à produção de conhecimento orientada às demandas de mercado.



Em um cenário em que o neoliberalismo é duramente questionado e encontra-se enfraquecido, é fundamental concentrar esforços para desfazer o movimento que protagonizou ao longo da década de 1990 no Brasil. Ou seja, o atual período exige transferir os setores que passaram a ser alvo da exploração visando a acumulação de capital para espaços públicos que não obedeçam à lógica do mercado, sob a orientação e gestão do Estado.



Para isso precisaremos de uma UNE e um movimento estudantil fortes e mobilizados. Porém, embora ainda seja o movimento juvenil mais organizado do país o ME está longe de ser a única expressão organizada da diversidade da juventude brasileira. Os anseios e aspirações dos próprios estudantes extrapolam cada vez mais o meio universitário e a pauta educacional.



Temas como emprego e trabalho ganham mais centralidade em um ambiente de altos índices de precarização e difícil entrada no mundo de trabalho. A parcela da população jovem que trabalha ao mesmo tempo em que estuda seria muito superior aos atuais 17,7% dos jovens com 15 a 24, não fosse o alto índice de evasão escolar devido à necessidade dos jovens de trabalhar para contribuir com a renda familiar.



Ademais, a tese equivocada de que o alto índice de desemprego entre os jovens é decorrente da falta de qualificação e não da baixa oferta de postos de trabalho formal tem como conseqüência o aumento da corrida por diplomas e a procura dos bancos acadêmicos em busca de profissionalização – expectativa que geralmente é frustrada, uma vez que a graduação não é sinônimo lugar cativo no mercado de trabalho, muito menos de estabilidade financeira, realização profissional ou ascensão social.



Somado à centralidade do trabalho no imaginário e na realidade dos jovens estudantes, é preciso notar que a composição da base social do movimento estudantil tem sofrido alterações. Fatores como (a) a reserva de vagas para estudantes negros, oriundos das escolas públicas e de baixa renda, (b) o Programa Universidade para Todos (ProUni), (c) a expansão dos setores público e privado em municípios e regiões distantes dos centros urbanos, (d) o surgimento de nichos de mercado educacional voltados à população de baixa renda e (f) o aumento da oferta de cursos noturnos transformaram a cara do estudante universitário, tornando-o mais popular e menos elitista e, portanto, mais impactado por fatores objetivos do lado de fora dos muros universitários.



Contribuindo para que UNE cumpra seu papel histórico de acordo com a realidade atual da juventude brasileira e para o aprofundamento das mudanças que acontecem em nosso país, o Partido dos Trabalhadores acredita ser necessário um salto organizativo e mudanças profundas no conjunto movimento estudantil e na UNE, em especial, tornando-a uma entidade cada vez mais democrática, transparente, combativa e de lutas.



O PT no movimento estudantil se orienta pela construção de uma universidade popular e democrática, pela defesa da UNE como entidade máxima de representação dos estudantes, motivo pelo qual reprovamos o divisionismo e defendemos sua revitalização, pela democratização e aproximação da UNE das salas de aulas, pelo fortalecimento das entidades e da rede do movimento estudantil, pela articulação dos movimentos sociais com as entidades e organizações estudantis, pelo aprofundamento das transformações em curso e pelo combate à crise internacional apresentando uma alternativa de esquerda visando superar o neoliberalismo e o capitalismo.



Sabemos que se aproxima um momento decisivo para os rumos do país que exige forte pressão pelas reivindicações históricas e atuais da classe trabalhadora e do povo brasileiro. Cumprir com esta tarefa exige atuação coesa do campo democrático e popular, o fortalecimento e a combatividade dos movimentos sociais e o enraizamento do petismo em amplas parcelas da população, sobretudo entre os jovens.



Portanto, o PT e sua juventude irão incidir com intensidade na pauta política que orientará a ação dos estudantes no próximo período, visando sair deste fórum mais fortalecidos e coesos do que nunca. Convocamos os estudantes petistas, delegados e observadores ao 51º CONUNE, a construírem uma intervenção qualificada e com unidade programática, fortalecendo a UNE, o movimento estudantil e o Partido dos Trabalhadores.

terça-feira, 14 de julho de 2009


Pelo reconhecimento ao desmonte do Estado brasileiro comandado por FHC, vai aí um texto do Emir que responde nossa convicção dos novos rumos do Brasil atual, e a certeza de que não queremos mais neoliberais governando nosso país.
Abraços!

Os reconhecimentos a FHC

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.

Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completado subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.

sábado, 20 de junho de 2009

Entre quatro paredes


Caros compaheiros(as), a respeito das nossas últimas conversas e debates a respeito das esquerdas e da disputa interna em nosso partido, (algo natural no cotidiano de nossa militância política), reproduzo aqui o brilhante texto do compaheiro Emir Sader que traduz um pouco dos nossos pensamentos da maneira fratricida como setores da esquerda trata suas disputas e contradições internas muitas vezes distanciando vários setores políticos potenciais na luta pelo socilaismo e na construção e fortalecimento do campo democrático popular. Abraços a todos(as) e boas festas juninas!!!

Por *Emir Sader

Duas analises tem sido muito difundidas, ambas incorretas: uma acredita que a crise atual levou ao fim do neoliberalismo e condena o próprio capitalismo à morte. A outra afirma que todas as tentativas atuais – especialmente as latinoamericanas – de superação do neoliberalismo fracassaram ou tendem a fracassar, “traindo” os mandatos que receberam.

Parecem analises contrapostas, mas são funcionais uma à outra. Porque remetem à idéia de que as condições de superação do capitalismo estão dadas, só não se realizam pela “traição das direções políticas”, burocráticas e/ou corrompidas, cooptadas pela burguesia e pelo capitalismo.

Além de equivocadas ambas as análises servem de álibi para as derrotas da esquerda: são sempre derrotas “dos outros”. Fica-se na eterna e indispensável tarefa da denúncia, tanto da repressão, quanto das “traições”. Mas os setores mais radicais se consideram imunes às derrotas, como se ao não se aproveitar a crise do capitalismo e o esgotamento do neoliberalismo para construir alternativas de esquerda capazes de disputar hegemonia, não estaríamos sendo todos derrotados.

Ou os argumentos da esquerda estão equivocados – e a realidade insiste em provar que isso não é verdade, quando se avança é pela esquerda e as propostas de direita estão associadas à geração da crise – ou temos sido incapazes de convencimento e de construção de forças alternativas que tratem de transformar essas idéias em força concreta – econômica, social, política, ideológica. Talvez as posições concretas da esquerda ou não sejam suficientemente concretas para chegar às pessoas ou estejam erradas na sua forma. Talvez se exorbite no radicalismo verbal e isso leva a esquerda ao isolamento e ao doutrinarismo, fechando-se sobre si mesma, apegando-se excessivamente à teoria e aprendendo pouco das formas sempre novas e heterodoxas da realidade concreta. Talvez se privilegie as palavras, a doutrina, em relação à realidade concreta, esquecendo-nos que a verdade é sempre concreta.

“A teoria, quando penetra nas massas, se torna força material” – dizia Marx. Seu pensamento pretende ser ao mesmo tempo interpretação do mundo e sua transformação radical. As palavras que não se transformam em força material, que não sensibilizam, que não chegam ao povo e não são assumidas por este como vetor de mobilização e projeto de transformação da realidade, permanecem palavras, teorias, doutrinas.

Por isso um marxista é necessariamente, ao mesmo tempo, teórico e dirigente político, intelectual e militante, de forma indissolúvel.

Quanto mais setores da esquerda consideram que os projetos atualmente existentes são todos cooptados pela burguesia, projetos de uma “nova direita” disfarçada de esquerda, etc., etc., mais deveriam se sentir derrotados e desmoralizados. Porque acreditam cegamente que têm razão, mas nunca conseguem triunfar, não conseguem convencer aos amplos setores do povo das suas propostas. Deveriam se sentir mais derrotados que todos. No entanto, exibem soberba diante das derrotas, parece que as derrotas são dos outros. (Como no caso da peça do Sartre, “Entre quatro paredes”, em que “o inferno são os outros").

Muitas vezes setores da esquerda colocam como seu objetivo a disputa de espaço dentro da esquerda, a demonstração de força de que têm mais força que outros grupos de esquerda, quando o objetivo fundamental é construir e disputar hegemonia na sociedade como um todo. Tantas vezes reina o prazer quando se considera que tal pessoa ou tal grupo teria “capitulado”, quando se deveria ficar triste, porque – caso seja realmente assim – é mais uma pessoa ou um setor que abandonaria a esquerda, refletindo nossa incapacidade de conquistá-los.

As vezes dá a impressão que se considera que o gênero humano está condenado à traição e cada vez que se considera que isso acontece, gera uma espécie de satisfação interior, ao constatar que mais e mais gente morde a maçã do pecado e das garras da cooptação do capitalismo.

O debate ideológico dentro da esquerda deve ser dar em função do objetivo maior de construção de alternativas de esquerda, não de ver quem triunfa no marco fechado da esquerda. Senão o campo ficará livre para que a direita decida quem governará – e o fará sempre contra a esquerda e o campo popular.

Emir Sader, cientista político, professor da UERJ

terça-feira, 16 de junho de 2009

E a história de lutas da CUT continua ...




A história de lutas da CUT Central Única dos Trabalhadores continua, a maior central sindical da América Latina realizará seu décimo congresso, em Pernambuco acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de junho e o presidente estadual da CUT-PE o companheiro Sérgio Goiana, espera um encontro marcante para central que viverá um novo momento de muitas lutas para o próximo período.

SERVIÇO:
O CONCUT ESTUDAL ACONTECERÁ NO AUDITÓRIO G2 DA UNICAP
QUARTA-FEIRA 17 ABERTURA AS 19:00 HS

Autoritarismo e alienação


Companheiros queria compartilhar no início desta semana este ótimo artigo do professor Luís Carlos Lopes a respeito dos últimos acontecimentos na USP uma verdadeira reação de direita a estudantes e professores da instituição que foram tratados com barbárie pelo Governo demotucano de São Paulo, o texto trata também de questões relacionadas a sociciedade viciada de consumo e individualista a que somos submetidos. Bem, boa leitura e uma semana de lutas e conquistas a todos abraços!!!

por *Luís Carlos Lopes

O que ocorreu nos últimos dias na Universidade de São Paulo demonstra, mais uma vez, a permanência do entulho autoritário na vida política e social brasileira. Estudantes, professores e funcionários públicos continuam sendo considerados inimigos do Estado e da ordem. Não podem discordar. Devem aceitar os ditames do poder. Não podem se manifestar, nem mesmo dentro da instituição de que são parte legítima e inquestionável. Se insistem, a polícia substitui a política, a violência fica no lugar do diálogo e da intercompreensão.

Nestes episódios, como em muitos outros, fica patente que ainda não encerramos completamente o velho ciclo da ditadura militar. Ela continua aí, pronta para atacar, logo que chamada a agir. Seus esbirros, mantidos pelo Estado, já não podem metralhar com balas de aço e chumbo, mas podem usar da borracha, do gás e de outras formas de intimidar. Não podem mais torturar - como gostariam - mas continuam a impor a "ordem", dentro da Universidade, bem como nas comunidades pobres, por meio da força militar. Ainda têm a coragem de reclamar de meia dúzia de pedras arremessadas pelo ódio que plantam e colhem.

O que assusta é que isto possa prenunciar o que poderá vir depois das próximas eleições presidenciais. A lógica do porrete aproxima-se velozmente do cenário nacional. Estão de parabéns os estudantes, funcionários e professores que se solidarizaram. São fascistas ou covardes os que se calaram ou tiveram a coragem de dizer que o movimento não tinha legitimidade. Dentre outras barbaridades, chegou-se a dizer que os alunos da USP eram privilegiados frente aos das escolas privadas. Aliás, onde estes estão? Será que não dá tempo de pensar, tendo que pagar grandes mensalidades para obter um diploma e um título formal, isto é, daqueles que são para agradar a família e fazer de conta que se aprendeu algo?

Não se sabe o que se passa na cabeça de tanta gente. O que é estranho é que hoje, diferentemente, dos anos sessenta e oitenta, é impressionante o grau de apatia, de consumismo e de anestesia mental dos jovens e de muitos adultos. Nada mais importa do que o último modelo de celular, a roupa de grife e o faz-de-conta da vida. Afinal, eles também estão na "fauculdade", mesmo que não saibam escrever nada e irão ser, certamente, ‘"deplomados". Se alguém duvidar, basta consultar bobagens similares na Internet, um canal de comunicação também fortemente usado na barbárie do tempo presente.

O problema não é somente que se assassine a língua. O mais grave é o desinteresse por tudo que é realmente importante na vida deles. Imagina-se, no que se refere à vida dos outros. Está-se longe da época onde o "coração de estudante" era também o dos operários e camponeses. Bater ou matar um bastava para atingir a todos. A rebeldia vinha em um átimo, logo que a notícia corria.

Hoje, ao contrário, grande parte dos estudantes foi anestesiada ao nascer. Poucos se importam ou mesmo pensam que são parte da mesma comunidade. Para manter a imunidade de acesso ao "deserto do real", basta que vejam TV, ou que usem de modo pouco inteligente as demais mídias etc. A sociedade em que estes jovens vivem é igualmente anestesiada, dar-lhe-á todo o apoio de que precisam. Nas mídias convencionais e em parte das alternativas encontrarão o mesmo conforto.

Por causa disto tudo, se têm que saudar os que sobraram. Os que não se dobram e continuam a insistir na pureza do "coração de estudante", aqueles que nunca esqueceram independentemente da idade que hoje tenham. Os que acreditam no sonho e na poesia da vida e não a pensam como algo insosso e difícil de engolir. Que venham bombas, balas de borracha, discursos mentirosos, autoridades sem respeito. Que venham todos. Eles não poderão jamais nos destruir.

*Luís Carlos Lopes é professor, sempre estudou na escola pública e fez seu doutorado na Universidade de São Paulo, no mesmo prédio bombardeado pela polícia nos recentes acontecimentos.